O evangelho de Marcos

Marcos tem um estilo quase jornalístico, com uma espécie de apresentação fotográfica dos acontecimentos. Ele é detalhista e consegue prender a atenção do leitor com sua narrativa simples.

O evangelho de Marcos

O evangelho de Marcos

O evangelho de Marcos

João Marcos era natural da Palestina e sua família era amiga de Pedro. Quando Pedro saiu da prisão foi para sua casa onde os cristãos estavam reunidos em oração (At 12,12ss). Marcos tinha uma criada chamada Rode (At 12,12-13) e, provavelmente, tinha uma vida cômoda, o que o impediu de enfrentar algumas dificuldades (At 15,38-39). Muitos o identificam com o jovem que seguia Jesus de longe no Getsêmani e que deixou o lençol e fugiu nu (Mc 14,51-52).

Marcos era primo de Barnabé e o acompanhou em várias viagens missionárias. Tornou-se influente entre os grandes pilares da Igreja (Col 4,14), sendo requisitado por Paulo quando estava na prisão (Fm 24; Col 4,10ss; 2Tm 4,11). Segundo uma antiga tradição da Igreja (Papias) era intérprete de Pedro. Era tão próximo de Pedro que este o chamava de “meu filho” (1Pe 5,13). Segundo a tradição acima citada ele foi o autor do segundo Evangelho.

O estilo de Marcos

Marcos tem um estilo quase jornalístico, com uma espécie de apresentação fotográfica dos acontecimentos. Ele é detalhista e consegue prender a atenção do leitor com sua narrativa simples.

a) estilo popular: Marcos é muito simples em sua narrativa. Usa muitas expressões que se repetem: ‘e então’, ‘em seguida’, ‘e depois’... as frases são sempre justapostas por meio da conjunção ‘e’ tanto no início quanto no meio da frase (ex.: 10,33-34). Só há um período um pouco longo com frases subordinadas (5,25-27).

b) redundâncias: Marcos usa expressões redundantes para explicar as circunstâncias ao leitor de uma maneira bem viva. Ex.: ‘em toda parte, em toda a redondeza da Galileia’ (1,28); ‘ao entardecer, quando o sol se pôs’ (1,32).

c) paralelismo: a segunda frase geralmente vem apoiar e completar a primeira, o que torna a apresentação do assunto de forma viva e concreta. Ex.: ‘e logo a lepra o deixou, e ficou curado’ (1,42).

d) uso do presente: Marcos não narra os fatos no passado, mas no presente histórico para mostrar a atualidade do Evangelho (cf. 11,15; 12,13-18; 13,1; 14,17.32.43).

e) aramaísmos: para explicar a cultura hebraica para seus leitores, provavelmente romanos, usa várias expressões em aramaico que ele conservou vivas em sua memória. Ex.: Boanerges (3,17); Talita Kum (5,41); Corban (7,11); Effata (7,34); Rabuni (10,51); Abá (14,36); Eloi (15,34);

f) exageros: Marcos deve ter herdado essa característica de Pedro, seu amigo. Usa expressões como ‘todos’ os enfermos e cidade ‘inteira’ (1,32-33); Cf. também 1,36-37; 3,7-8; 3,20.

g) detalhista: de maneira viva Marcos apresenta detalhes que não se encontram nos outros sinóticos. Ex.: grama verde (6,39); casa de Pedro e André (1,29).

h) querigmático e cristocêntrico: Marcos sacrifica a cronologia história, a gramática e a geografia em função da proclamação querigmática (cf. 3,13TG; 5,4-5; 7,31). Para Marcos Jesus é o centro de onde tudo começa e para onde tudo converge. Não aceita outro resplendor junto dele, pois está fascinado por Jesus. Não fala de Maria. Narra logo a morte do Batista para não deixar dúvidas: ele não é o Messias! (6,17), exclui logo a família de Jesus (3,21), faz de Tiago e João ridículos ao narrar seu desejo de sentar ao lado do trono (10,37), Pedro é fraco e nega o mestre (14,67-71). Para Marcos não existem galáxias, estrelas e constelações, apenas o sol da justiça que brilha para todos e sobre todos: Jesus, o Filho de Deus.

Data e destinatários

Marcos é o evangelho mais antigo, o que o torna mais próximo dos fatos (‘quanto mais próximo da fonte, mais pura a água’). Marcos deve ter sido escrito entre os anos 55 e 65 d.C. As explicações dos costumes judaicos mostram que o livro foi escrito fora da Palestina. As alusões às situações de perseguições apontam Roma como local de escrita do livro, provavelmente pelos anos da morte de Pedro (64 dC. em Roma). O evangelho foi escrito provavelmente para os cristãos de Roma que estavam enfrentando perseguições. Como o Leão da Tribo de Judá (O evangelho de Marcos é simbolizado pelo Leão) venceu no topo da montanha, os cristãos perseguidos verão a vitória, se perseverarem na fé que exige um discipulado radical.

O propósito do evangelho

Não poderia haver propósito mais lindo na vida de alguém: apresentar Jesus como o Filho de Deus, através de seus feitos e palavras. Marcos quer que todos se apaixonem por Jesus, como ele está apaixonado. Ele sabe que a pessoa apaixonada por Jesus, apesar de fracassar várias vezes por causa de suas fraquezas humanas (cf. 14,51-52; At 13,13; 15,38-39) seguirá adiante no propósito de apresentar o Cristo, Filho de Deus.

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Deize Aparecida Leite de Oliveira

Deize Aparecida Leite de Oliveira

Muito bem explicado,ótimo. Parabéns!
★★★★★DIA 15.05.16 16h16RESPONDER
N/A
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