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Aspectos históricos e literários da Bíblia: a Verdade na Bíblia

Primeiro é preciso lembrar: a Bíblia é mais poesia e teologia do que história. O que a Bíblia diz é verdade de Deus escondida em poesia e teologia humana, por isso deve ser interpretada.

Por Dimar Luiz dia em Artigos visitas: 409

Aspectos históricos e literários da Bíblia: a Verdade na Bíblia

Dizemos que a Bíblia é a palavra de Deus e, por isso, ela não contém erros. Mas que dizer de passagens como:

- Jó 26,11: o céu sustentado por colunas?

- Lv 11,6: a lebre é um ruminante?

- Gn: Deus faz primeiro a luz depois o sol?

- Caim não era o único descendente de Adão e Eva? Então porque o medo de ser assassinado?

Primeiro é preciso lembrar: a Bíblia é mais poesia e teologia do que história. O que a Bíblia diz é verdade de Deus escondida em poesia e teologia humana, por isso deve ser interpretada. Se uma afirmação é, aparentemente, contraditória com nossas ciências e conquistas tecnológicas é sinal de que a mensagem ultrapassa o fato narrado. Não podemos ficar presos ao dedo que nos aponta para o infinito; nossos olhos devem olhar na direção em que o dedo aponta.

A verdade da Bíblia possui quatro características:

1ª: É verdade em estilo oriental: os orientais usam menos conceitos e idéias do que os ocidentais. Eles se expressam mais com a vida, com a poesia e simbologia. A mensagem é transmitida através de imagens e parábolas. Ex.: Sl 23,2-3; Is 45,11-17.

2ª: É verdade religiosa: a Bíblia trata dos acontecimentos de acordo com a mensagem que quer transmitir. A história é história de salvação, de Deus com os homens, não história no sentido moderno da palavra. Veja os exemplos abaixo:

- Ap 14,1-4: quando se fala dos 144.000 deve-se interpretar simbolicamente, não matematicamente. 144.000 = 12x12x1.000. O nº 12 significa plenitude e 1.000 significa multidão. Então a mensagem é: os resgatados pelo sangue de Cristo formam uma plenitude de multidões, ou seja, é um número que ninguém pode contar;

- Jo 3,1-21: nascer de novo não é entrar no ventre da mãe, nem se reencarnar, mas sim nascer do poder do Espírito de Deus (do alto)[1];

3º: É verdade progressiva: Deus não se revela de uma vez, mas pouco a pouco. Pedagogicamente, Deus vai ensinado ao homem e este vai aprendendo a escutar Deus.

- Gn 4,23-24: a lei de Lamec era ‘vingar-se sete vezes’ dos seus inimigos; depois veio a lei que não permitia a ninguém prejudicar ao outro mais do que havia sido prejudicado, ou seja, ‘olho por olho e dente por dente’ (Ex 22,24-25). Esta lei avança ainda mais no Levítico 19,18: “amarás o teu próximo como a ti mesmo”; e chega a plenitude com Jesus Cristo: “como eu vos amei, deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13,34);

- O sermão da montanha (Mt 5,1-7,29) é outro grande exemplo de progresso moral e interiorização da lei.

- Jesus também não disse tudo aos discípulos; só com a vinda do Espírito Santo eles compreenderam o que Jesus tinha ensinado (Jo 16,12-15);

4º: É verdade divina expressada em palavras humanas: o inefável de Deus é manifestado a nós através dos limitados recursos da linguagem humana.

- Quando a Bíblia diz que Jesus é a luz do mundo (Jo 18,46), o Senhor (At 2,36), não quer dizer que Jesus é só isso; isso é o que a nossa linguagem humana consegue captar do grande mistério de Deus;

- Quando se diz, por exemplo, que Deus ‘viu’, ‘ouviu’, ‘se arrependeu’, trata-se de aproximações humanas que assemelham Deus ao homem, para que possamos conhecer suas manifestações;

- Quando a Bíblia diz que Moisés, Paulo, Isaías ouviram ou viram Deus quer dizer que tiveram uma experiência com Deus, mas não que o viram com os olhos nus, pois isso seria impossível. É a forma como o escritor sagrado encontrou para relatar a experiência que teve de Deus.

A verdade está em toda a Bíblia, não em uma única passagem, ainda que sejam as belas páginas de são João ou de são Paulo. É o conjunto da Bíblia que nos mostra a verdade por trás dos acontecimentos. Mateus diz a verdade, mas sua mensagem se completa quando lemos João, conhecemos Paulo e os profetas do Antigo Testamento. As diferenças encontradas nos evangelhos são, na verdade, riquezas que nos apresentam detalhes que outros esqueceram (ou desconheciam). Não são contradições, mas completude e aperfeiçoamento.

[1] A palavra grega utilizada no texto para nascer de novo é ?νωθεν [anothen] que significa um ato repetido, mas exige que a fonte original o repita. Ou seja, Aquele que fez da primeira vez [Deus] deve fazer novamente. A melhor tradução seria, então, ‘do alto, de um lugar mais alto, coisas que vem do céu ou de Deus’. Para aprofundamento recomendo o livro 3:16 de Max Lucado publicado pela Editora Thomas Nelson Brasil, cap. 1.

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