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Aspectos históricos e literários da Bíblia: O Cânon (lista de livros oficiais)

Existem milhares de livros que poderiam estar na Bíblia, por isso foi preciso definir quais livros fariam parte do cânone (lista dos livros aceitos como inspirados por Deus).

Por Dimar Luiz dia em Artigos visitas: 347

Aspectos históricos e literários da Bíblia: O Cânon (lista de livros oficiais)

Da mesma forma que uma pessoa é registrada para ser identificada e não ser confundida com outra, a Bíblia sagrada foi registrada. Existem milhares de livros que poderiam estar na Bíblia, por isso foi preciso definir quais livros fariam parte do cânone (lista dos livros aceitos como inspirados por Deus). Quanto ao NT não houve muitas dificuldades, mas no que toca ao AT surgiram muitos problemas. Isso porque a lista dos livros era diferente[1].

- Os judeus da palestina usavam a Bíblia hebraica com apenas 39 livros;

- Os judeus da diáspora (que viviam fora da palestina), sobretudo no ocidente, usavam a Bíblia traduzida para o grego (Bíblia dos LXX), que continha sete livros a mais que a hebraica: Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico e Baruc. No total são 46 livros inspirados.

Na Igreja primitiva, continuou existindo o problema, com relação aos livros do AT:

- No oriente e, sobretudo na palestina, usava-se a Bíblia hebraica (39 livros);

- No ocidente, onde a cultura dominante era a grega, dava-se preferência à Bíblia grega, com os sete livros a mais (46 livros).

Tornou-se necessário definir os livros inspirados e resolver o problema dos sete livros deuterocanônicos. Para isso se colocaram a pergunta: Jesus e os apóstolos usaram qual texto do AT (o hebraico ou o grego)? Provavelmente usaram o texto grego dos setenta, mas os partidários da Bíblia hebraica argumentavam que nenhum dos deuterocanônicos havia sido citado nos livros do NT. A refutação veio imediatamente: mas tampouco são citados livros como Cânticos, Provérbios, Eclesiastes e Rute e, mesmo assim, são aceitos como inspirados[2].

Então no dia 8 de abril de 1546, o Concílio de Trento firmou o cânone da Bíblia, ou seja a igreja reconheceu, oficialmente, quais livros eram inspirados por Deus. A igreja reconheceu como inspirados por Deus também os 7 livros chamados deuterocanônicos.

Mas isso foi um ato arbitrário da igreja? Não! Ela apenas definiu como dogma aquilo que já era experimentado desde os primeiros séculos.

Mais tarde quando Lutero traduziu a Bíblia para o Alemão, foram traduzidos também os 7 livros, mas foram colocados em apêndice na Bíblia. Até o século XIX, as sociedades bíblicas protestantes incluíam estes 7 livros em suas edições da Bíblia.

Que critérios a igreja usou para a aceitação dos livros inspirados?

- A assistência do Espírito Santo;

- Que o senhor Jesus ou os apóstolos tenham feito uso destes livros;

- Que sucessores próximos dos apóstolos tenham citado estes livros[3];

- A origem apostólica para os livros do NT[4];

- A ortodoxia da doutrina, ou seja, não contêm erros de tipo doutrinário ou contrários à fé.

[1] Havia o texto em hebraico e o texto em grego (este acrescentava sete livros na sua lista).

[2] Estudos posteriores mostram que existem muitos textos destes livros citados no NT. Ex.: Rm 1,12-32 = Sb 13,1-9; Tg 1,19 = Eclo 5,11; Mt 11,29s = Eclo 51,23-30.

[3] Clemente de Roma (95 d.C.) quarto papa da Igreja, na sua carta aos coríntios, cita os livros deuterocanônicos.

[4] Não quer dizer que os apóstolos tenham escrito, mas que sejam de seu tempo ou tenham relação com eles.

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