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Aspectos históricos e literários da Bíblia: textos, da produção á leitura

Um texto pode ser decomposto em frases, e estas, em palavras, por isso podemos dizer: “As palavras se articulam e interagem em frases que, por sua vez, se articulam e interagem formando o texto que, por sua vez, interage e forma o livro.”

Por Dimar Luiz dia em Artigos visitas: 521

Aspectos históricos e literários da Bíblia: textos, da produção á leitura

O que é um texto?

Texto vem do latim textus = tecido, trama.

Um texto pode ser decomposto em frases, e estas, em palavras. Daí, podemos dizer que: “As palavras se articulam e interagem em frases que, por sua vez, se articulam e interagem formando o texto que, por sua vez, interage e forma o livro.”

6.1.1. Aspectos lingüísticos do texto

a) Fonético: configuração sonora do texto, as assonâncias.

b) Morfológico: os signos lingüísticos menores e suas propriedades, as categorias gramaticais (verbos, substantivos).

c) Sintático: a articulação das palavras no todo, como estrutura.

d) Estilístico: a elegância do texto (mais poético ou não, mais redundante ou não).

6.1.2. A delimitação dos textos

A delimitação é outra qualidade de um texto. Quer dizer que um texto precisa ter “começo, meio e fim”. A ciência bíblica utiliza um termo técnico para designar a delimitação dos textos chamada perícope. Várias perícopes formam um texto mais complexo, os textos compõem o livro.

6.1.3. Texto é parte de um processo da comunicação lingüística

O processo de comunicação utiliza dos meios materiais (pinturas, escrita, rádio...) e simbólicos (sinais próprios a cada cultura) para transmitir a sua percepção da realidade. O texto se constitui sobre um sistema simbólico próprio da sua cultura. Para que o processo comunicativo aconteça, autor e leitor devem ter um sistema simbólico comum.

Na produção do texto, o autor leva em consideração:

a) a idéia ou o aspecto dela que ele quer transmitir;

b) suas fontes (orais ou escritas);

c) o material simbólico que está disponível em sua cultura e em sua língua;

d) a idéia que ele faz do leitor a quem escreve;

e) o efeito que quer produzir no leitor.

No entanto, após sair das mãos do autor o texto ganha vida própria. O leitor se distancia do autor no tempo e no espaço, não podendo mais consultá-lo sobre suas intenções ao escrever. A comunicação se torna unilateral. É isso que acontece com a Sagrada Escritura, por isso o leitor deve considerar que:

a) autor e leitor pertencem a mundos e culturas diferentes: os signos e as categorias do primeiro nem sempre são naturais ao segundo;

b) o leitor de hoje não foi previsto pelos autores da Bíblia;

c) até chegar ao hoje, o texto bíblico teve de superar obstáculos, sofreu mutações, foi interpretado sob diversas perspectivas, foi lido e aplicado a novas situações e, muitas vezes, acabou produzindo efeitos diferentes dos pretendidos pelo autor;

d) o texto tornou-se estável, uma vez que as edições impressas eliminam o risco de deturpações quanto à letra escrita. As divergências ficam por conta das interpretações. Se encontrar dificuldades, o leitor não pode consultar o autor, mas pode reler o texto, confirmando ou modificando suas interpretações.

Concluímos, dizendo que ler é decifrar, decodificar. Então, a competência e fidelidade de uma leitura dependerão da capacidade que o leitor tem de formar um quadro abrangente dos diversos fatores que concorreram para a formação do texto.

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