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Estudo Bíblico

Constituição do Povo - Abrão-Abraão

Constituição do Povo - Abrão-Abraão
Dimar Luiz
Por: Dimar Luiz
Dia 05 de julho de 2020

A vida de Abrão começou, verdadeiramente, quando Deus o chamou: “Sai de tua terra, do meio de teus parentes, da casa de teu pai, e vai para a terra que eu te vou mostrar” (Gn 12,1).

Abraão[1] é o primeiro que Deus escolheu para a realização de seu projeto. Deus não lhe impôs condições nem metas intermediárias antes de chamá-lo e amá-lo, mas o aceitou em sua situação de pecado (politeísmo) e foi-lhe ao encontro. A vida de Abrão começou, verdadeiramente, quando Deus o chamou: O Senhor disse a Abrão: “Sai de tua terra, do meio de teus parentes, da casa de teu pai, e vai para a terra que eu te vou mostrar” (Gn 12,1).

Deus pede a Abrão que saia, mesmo antes de dizer para onde. E Abrão, pela fé, obedeceu: “Pela fé Abraão obedeceu à ordem de partir para uma terra que devia receber como herança, e partiu, sem saber para onde iria” (Hb 11,8). Seu futuro se torna incerto. Mas Deus assume a responsabilidade sobre a vida de Abrão. Deus pede tudo a Abrão, por isso ele tem que renunciar:

- seu passado;

- sua religião politeísta;

- a estabilidade econômica de seu país;

- a segurança da casa de seu pai.

Além destas renúncias Deus pede confiança absoluta em sua palavra. Em compensação a esta exigência Deus deixa entrever uma grande promessa: “Farei de ti uma grande nação e te abençoarei: engrandecerei o teu nome, de modo que ele se torne uma bênção. Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem. Em ti serão abençoadas todas as famílias da terra” (Gn 12,2-3). A ilógica promessa divina parece contraditória, pois Sarai[2] é estéril e Abrão já velho. Mas Deus é fiel e por isso Abrão não discute as propostas divinas e dá o passo na fé: “Pela fé, ele viveu como migrante na terra prometida, morando em tendas, com Isaac e Jacó, os co-herdeiros da mesma promessa. Pois esperava a cidade de sólidos alicerces que tem Deus mesmo por arquiteto e construtor” (Hb 11,9-10). Quando chegou a Siquem Deus revelou a segunda parte da promessa: “Levanta os olhos e, do lugar onde estás, contempla o norte e o sul, o oriente e o ocidente. Toda esta terra que estás vendo, eu darei a ti e à tua descendência, para sempre” (Gn 13,14b-15; cf. 12,6-7). Mas este não é o momento da posse e Abrão se refugia no Egito. Passaram dez anos após a promessa e Abrão sente a angústia do tempo que se vai. Essa angústia se torna uma pergunta intrigante: “Senhor que me haverás de dar? Eu me vou sem filhos...” (Gn 15,2) e Deus lhe dá a resposta: “Olha para o céu e conta as estrelas se fores capaz. Assim será a tua descendência” (Gn 15,5). Abrão entende que deve esperar: “Abrão teve fé no Senhor” (Gn 15,6).

Abrão e Sarai tomam a decisão de ter um filho conforme os costumes da época (cf. Gn 16,1-16). Sarai dá a escrava Hagar a seu esposo com a qual teve um filho chamado Ismael[3]. A promessa de Deus se realizara? Certamente não! E Deus logo lhes revela que aquele não é o filho da promessa.

Os planos de Deus não se cumprem por meio de artifícios humanos. Eles se realizam como e quando Deus quer. Deus consola Abrão e lhe renova a aliança: “Já não te chamarás Abrão: Abraão será teu nome, porque farei de ti o pai de uma multidão de nações (...) estabeleço minha aliança entre mim e ti e teus descendentes para sempre, uma aliança eterna, para que eu seja Deus para ti e teus descendentes. Quanto à tua mulher, Sarai, já não a chamarás Sarai, mas Sara, Princesa. Eu a abençoarei e também dela te darei um filho. Eu a abençoarei, e ela será mãe de nações; dela nascerá reis de povos” (Gn 17,5.7.15-16). A promessa de Deus tem um tríplice caráter: terra, descendente, povo. Abraão pergunta: “Será que um homem de cem anos vai ter um filho e que, aos noventa e nove anos, Sara vai dar à luz?” (Gn 17,17) e Deus responde: “Existe alguma coisa impossível para o Senhor?” (Gn 18,14). Sarai deixa brotar dos lábios um sorriso de incredulidade, pois olhou para sua miséria e não para o poder de Deus (Gn 18,9-15). Mas Deus sorriu de volta e Sarai concebeu e deu à luz Isaac. Enfim nasceu o filho da promessa. É de Isaac[4] que vai nascer a grande nação que herdará a bênção da promessa feita a Abraão.

Mas Deus põe a fé de Abraão à prova. Agora o próprio Deus parece se opor ao que ele mesmo prometera: “Toma teu filho único, Isaac, a quem tanto amas, dirige-te à terra de Moriá e oferece-o ali em holocausto sobre o monte que eu te indicar” (Cf. Gn 22,1-18). Não há dúvida: Deus está exigindo tudo! Abraão não intercedeu pelos pecadores de Sodoma e Gomorra? (Gn 18,16-33). Por que agora silenciosamente aceita a morte do justo que é seu próprio filho? Abraão recebeu uma ordem de Deus com um tríplice imperativo: toma teu filho... dirige-te... oferece-o... e por isso não discute. Em silêncio dirige-se para o Monte Moriá[5] para cumprir o mais amargo dos seus deveres: sacrificar o próprio filho.

Agora Abraão está provado, ofereceu tudo, sem reservas a seu Deus. Nada mais há que reter e por isso Deus pode lhe revelar todo o seu desígnio. A fé de Abraão foi provada e aprovada. Agora Deus lhe pode renovar a promessa. Abraão torna-se, assim o pai na fé. Por ele Deus iniciou seu povo do qual vai nascer o salvador.

[1] O nome Abrão significa: “Pai excelso” enquanto Abraão significa: “Pai de multidões” (Cf. Gn 17,5.7).

[2] Segundo o Programa BibleWorks 7, Sarai significa: “Princesa” e Sarah, nome que Deus dará a Sarai: “Mulher Majestosa” (Cf. Gn 17,15-16).

[3] O nome Ismael significa: “Deus escutou (escutará)”.

[4] O nome Isaac significa: “Ele (Deus?) sorriu”.

[5] O nome Moriá significa: “Escolhido por Deus”.

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