Estudo Bíblico Online - a Palavra de Deus é viva!

Métodos de Leitura da Bíblia: Midraxe

Os fariseus classificavam a leitura das Escrituras em 4 níveis que indicam a profundidade e compreensão da leitura.

Por Dimar Luiz dia em Artigos visitas: 1617

Métodos de Leitura da Bíblia: Midraxe

Este é um método criado pelos fariseus[1] que viveram após a destruição do Templo de Jerusalém, aproximadamente no ano 70 d.C. Quando os romanos invadiram a palestina no ano 63 d.C., eles já haviam se organizado no estudo da Torah e a sociedade estava organizada em torno da ralação mestre-discípulo. Essa relação tinha a seguinte hierarquia: Deus » Torah » Mestre » Discípulo » Sociedade. Deus é quem cria e elege o povo, com quem faz aliança. Deus dá a Torah como caminho a ser seguido. É o mestre quem estuda e transmite a Torah; ele vive rodeado de discípulos. E a sociedade usufrui daquilo que o mestre e seus discípulos colhem do texto. Assim, se forma uma cadeia de transmissão da Escritura, onde é o próprio Deus quem educa e conduz, indiretamente, o povo.

Os fariseus classificavam a leitura das Escrituras em 4 níveis que indicam a profundidade e compreensão da leitura:

1. Pshat (Simples)

2. Remez (Insinuação)

3. Darash (Escrutar, revirar, remover)

4. Sod (Segredo, mística)

No primeiro nível (Pshat), o leitor apenas forma as imagens a partir da leitura, não vai além disso. Lê, apenas, sem compreender o simbolismo do texto.

No segundo nível (Remez), o próprio texto insinua (ou sugere) ao leitor que deve haver algo mais profundo além das imagens. Para os fariseus o texto tem como princípio a interpretação e o leitor deve ouvi-lo. Ele começa a pensar que existe algo a mais além das palavras e começa a perceber um significado mais profundo.

No terceiro nível (Darash) o leitor desce profundamente no texto e o faz dizer o que está oculto. Mas, atenção! Não se trata de forçar o texto a dizer algo que ele não diz. Trata-se de analisar os mínimos sinais que o texto oferece, estudando os elementos como seu contexto histórico e sua língua mãe. Esse nível nos livra de leituras fundamentalistas. Neste nível se lança mãos de todos os recursos exegéticos e hermenêuticos disponíveis.

O quarto nível (Sod) é o último estágio no contato com as Sagradas Escrituras. A partir de agora a relação com Deus se faz independente do texto, porque ele (o texto) vive no leitor. A palavra se faz uma só com o leitor, vivendo nele e mudando suas atitudes. Ele passa a viver de acordo com aquilo que o texto lhe revelou. É o momento da mística, compreendida aqui como integração do leitor com ele mesmo, com os outros, com a natureza e com Deus.

Agora tomemos as primeiras letras (consoantes)[2] de cada nível (p, r, d, s). Vocalizando corretamente teremos a seguinte palavra PaRDéS que, em hebraico que dizer: jardim, pomar. Essa raiz dá origem à palavra “paraíso” nas línguas latinas e neolatinas. Isto significa que: pela leitura e meditação das Sagradas Escrituras temos acesso ao Paraíso. Como “paraíso” não é lugar físico, não é o leitor quem vai para o seu interior, mas ele que vem para o interior do leitor.

[1] Os fariseus eram líderes do povo na época do 2º Templo. O nome, de origem hebraica, significa “separado”. Separados pela prática dos mandamentos da Torah. Como grupo, estima-se que tenham surgido no período de Esdras e Neemias no século VI a.C. O que é dito de Esdras, será dito deles no que toca a leitura da Torah. O grupo teve influência política expressiva no período de João Hircano (135-104 a.C.) e no período da Rainha Salomé (76-67 a.C.). Esse grupo se voltou para o estudo da Torah após a ocupação romana em 63 d.C. e consolou a comunidade judaica após a destruição do Templo em 70 d.C.

[2] No hebraico, se escreve apenas com as consoantes (alefbets). A vocalização se faz com símbolos chamados sinais vocálicos ou massoréticos (porque foram inventados pelos ‘Massoretas’ – de massorah=tradição – que viveram entre os séculos V e X d.C.).

Compartilhe esse post: