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O sofrimento do desterro: A queda

No exílio Deus inicia algo novo: Deus não está preso às quatro paredes do templo, é um Deus transcendente que vai com seu povo ao desterro.

Por Dimar Luiz dia em Artigos visitas: 488

O sofrimento do desterro: A queda

A maldade continua crescendo nos dois reinos. No reino do norte sobressaem os pecados de injustiça social e idolatria (Am 3,9-15). No reino do sul sobressaem os pecados religiosos: culto vazio, falsa piedade e ter o templo como amuleto (Is 1,10-17; Jr 7,4-10). Deus admoesta por meio dos profetas e até ameaça com a destruição, mas o povo não crê nos mensageiros de Deus e continuam se pervertendo.

- Ezequiel denuncia a prostituição de Israel que traiu seu esposo (16): “Como poderei purificar o teu coração – oráculo do Senhor – quando praticas todas estas ações, rainha das prostitutas!” (16,30)

- Miquéias mostra o caminho para que o povo retorne: “É só praticar o direito, amar a misericórdia e caminhar humildemente com teu Deus” (6,8);

- Oséias faz um chamado ao retorno ao primeiro amor: “Dirá então: quero voltar ao meu marido. Naquele tempo eu era bem mais feliz que agora” (2,9);

- Amós denuncia a injustiça: “Ai dos que fazem do direito uma amargura e a justiça jogam ao chão” (5,7-13);

- Isaias denuncia o culto vazio: “Ai! Gente pecadora, povo carregado de crimes, geração de malfeitores, filhos degenerados! Abandonaram o Senhor, desprezaram o Santo de Israel, andaram para trás” (1,1-20);

- Jeremias chama à fidelidade à aliança: “Endireitai, pois, vossos caminhos e vosso agir, obedecei à palavra do Senhor vosso Deus, e o Senhor, então, desistirá do castigo com que vos ameaçou” (26,13).

Mas “Também todos os chefes dos sacerdotes e o povo cometeram muitos atos de infidelidade, imitando as nações pagãs. Mancharam o templo que o Senhor tinha santificado em Jerusalém. O Senhor, Deus de seus pais, no tempo devido e repetidas vezes, lhes enviara mensagens por meio de seus mensageiros, pois tinha compaixão de seu povo e de sua morada. Mas eles zombaram dos enviados de Deus, desprezaram suas palavras e escarneceram de seus profetas, até que finalmente a ira do Senhor contra o seu povo subiu irremediavelmente” (2Cr 36,14-16). Então o Senhor recorreu ao último dos recursos: o castigo. É um meio de educação e formação do povo, mas nele não está ausente o amor de Deus, “pois Deus corrige os que ele ama” (Hb 12,6).

a) A queda de Samaria: pelo ano 721, Sargão II, no comando do exército Assírio, invadiu Samaria e levou seus habitantes para o cativeiro em Nínive (2Rs 17,5-23).

b) A queda de Jerusalém: Em 586, Nabucodonosor destruiu Jerusalém e o templo e deportou seus habitantes para a Babilônia, onde ficaram cativos (2Rs 24,10ss; 2Cr 36,1-21; Sl 137).

A cidade foi completamente destruída e os que ficaram também se lamentaram: “Ah! Como ficou abandonada a cidade populosa. Aquela que dominava as nações parece uma viúva. A antiga capital da

província agora é escrava. Banhada em lágrimas de dor, chora a noite toda” (Lm 1,1-2a). O templo foi profanado e destruído, a Arca da Aliança perdeu-se para sempre. O povo perdeu tudo: sua identidade, liturgia e a terra (símbolo das promessas de Deus). Perdeu todas as seguranças religiosas e entrou numa profunda crise de fé.

Mas o castigo e o sofrimento não são a última palavra de Deus. No exílio Deus inicia algo novo: Deus não está preso às quatro paredes do templo, é um Deus transcendente que vai com seu povo ao desterro. O povo auto-suficiente e orgulhoso experimenta sua fraqueza e chora o seu pecado. Nascem os profetas do exílio que alimentam a esperança do povo: Is 40-55: consolação e esperança; Ez 33-36: coração e espírito novo; Jr 30-33: a nova aliança. Nascem as sinagogas para a leitura e estudo da palavra de Deus: tudo se perdeu, menos a palavra de Deus. É a única riqueza de Israel. Israel entende que “lá onde um judeu abrir a Toráh, Deus estará presente.”

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