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Retorno: reconstrução e restauração

Não basta a reconstrução material das muralhas e da cidade ou o progresso econômico. É mais necessária a restauração interior e psicológica que faz recobrar a dignidade profanada.

Por Dimar Luiz dia em Artigos visitas: 1282

Retorno: reconstrução e restauração

O povo, desterrado junto aos rios de Babilônia, chora com nostalgia por Jerusalém. “Era preciso que o povo de Deus sofresse essa purificação. O exílio já traz a sombra da Cruz no projeto de Deus, e o resto dos pobres que volta de lá é uma das figuras mais transparentes da Igreja”.[1]

Surge o império Persa com Ciro, o grande. Em 539, Ciro destrói a Babilônia onde o povo de Deus estava escravo. Em 538, Ciro baixa um decreto permitindo o retorno dos exilados e a reconstrução de Jerusalém (2Cr 36,22-23; Esd 1,1-4).

Guiados por Zorobabel regressa o primeiro grupo de exilados (Esd 2,1-2; Ne 12,1). Eles foram tristes e chorando para o exílio, agora voltam felizes e cantando para sua terra: “Quando o Senhor trouxe de volta os cativos exilados de Sião, pensamos que era um sonho. Então nossa boca transbordava de sorrisos e nossa língua cantava de alegria. Então se comentava entre os povos: ‘o Senhor fez por eles maravilhas’. Quando vai, vai chorando, levando a semente para plantar; mas quando volta, volta alegre, trazendo seus feixes” (Sl 126,1-2.6). Não se trata de um simples retorno. Afinal que adiantaria retornar à terra com as mesmas atitudes? Trata-se de um retorno ao primeiro amor, à fidelidade e à aliança.

Por outro lado não basta a reconstrução material das muralhas e da cidade ou o progresso econômico. É mais necessária a restauração interior e psicológica que faz recobrar a dignidade profanada.

Começa a restauração da cidade e das muralhas. Cada um coopera com sua parte, pois a obra é de todos (Ne 3). A oposição dos Samaritanos, ao invés de desanimar, encoraja o projeto. Vejamos os passos estratégicos da reconstrução:

- primeiro reinstalam o culto a Deus (Esd 3,1-5), pois só a partir de então começa a verdadeira restauração;

- reconstroem a cidade com as mesmas pedras da destruição;

- já não choram nem se lamentam, mas decididamente reconstroem a cidade e seus muros, apesar da oposição dos samaritanos. Aprendem a se defender: com uma mão trabalham e com a outra lutam para se defender (Ne 4,10-12);

- graças à palavra se reconstrói a identidade do povo e nasce o judaísmo (Ne 8,1ss).

O povo de Deus aprende que não se pode continuar olhando para o passado nem ficar preso a experiências dolorosas, mas aproveitar disso como um trampolim para dar um salto. O que mais faz sofrer não é a dor e sim o não encontrar sentido no sofrimento. O povo de Deus aprendeu a depender mais de Deus e aceitar sua palavra, pois tudo, a dor e até o pecado, desde que o choremos, concorre para a realização do plano de Deus (2Cor 4,17; Rm 8,18).

Depois do desterro Israel pode cantar: “Quando o Senhor trouxe de volta os cativos exilados de Sião, pensamos que era um sonho. Então nossa boca transbordava de sorrisos e nossa língua cantava de alegria. Então se comentava entre os povos: ‘o Senhor fez por eles maravilhas’” (Sl 126,1-2).

[1] CIC 710.

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